
Há muito tempo, toda a Terra estava envolvida em escuridão, não havia nada excepto montanhas rochosas e precipícios. As pessoas não sabiam nada, nesse tempo. Viviam como animais, andavam nuas pelos campos, sem pudor. Não tinham casas nem aldeias, viviam em cavernas, aconchegando-se umas às outras em busca de calor, não sabiam sequer acender uma fogueira. Alimentavam-se de frutos silvestres e de qualquer animal que apanhassem rasgando a carne com os dentes e engolindo-a crua. Quando a vida se tornava mais dífícil, comiam ervas ou raízes de ervas daninhas e de plantas selvagens.
Então, surgiu Inti - o nome que os Incas deram ao Sol, um nome que só um autêntico Inca pode pronunciar -, e a sua luz iluminou o mundo e pôs à vista a miséria da raça humana. E, porque o Sol era bom, teve vergonha por ela.
Resolveu enviar um dos seus filhos à Terra. Tinha como missão ensinar os homens a lavrar a terra, a semear, a criar o gado, a cuidar dos frutos das colheitas. Ensinaria também os homens e as mulheres a adorar o Sol como seu deus, pois, sem luz nem calor, não seriam nunca melhores do que os animais.
O seu nome era Manco Capac e com ele veio Occlo Huaco, a filha da Lua, esposa do Sol.
Os filhos do Sol instalaram-se em duas ilhas do lago Titicaca, que é o lago mais alto do mundo. Ainda hoje são conhecidas as ilhas do Sol e da Lua. Em seguida, atravessaram o lago, com a água rebrilhando como diamantes sob os seus pés, até que chegaram a terra firme e começaram a sua obra.
Antes de terem deixado o Céu, o Sol dera-lhes um bastão de ouro. Tinha a grossura de dois dedos e era um pouco mais pequeno do que o braço de um homem.
- Vão para onde quiserem - dissera-lhes - mas, onde quer que se detenham para dormir ou para comer, tentem enterrar este bastão na terra. Quando chegarem a um lugar onde, com um simples toque, o bastão desapareça completamente, saberão que estão num lugar que me é consagrado. E aí devem ficar. Será o local de uma grande cidade, cheia de palácios e templos. E essa cidade será o centro do meu império, um império como nunca se viu antes no mundo.
Manco Capac e Occlo Huaco deixaram o lago Titicaca e começaram a caminhar em direcção ao norte. Semanas depois chegaram ao vale de Cuzco. Quando experimentaram aí o bastão, ele desapareceu completamente no solo e assim souberam que tinham chegado ao local onde seria fundado o Império Inca.
Cada um seguiu o seu caminho. Falaram com os selvagens. Milhares de homens e mulheres vieram para o vale de Cuzco para os ver e escutar o que eles diziam. E foi assim que Manco Capac começou a construir a cidade que o seu pai ordenara e a ensinar as pessoas a ser civilizadas.
Chamaram-lhe Cuzco. E foi dividida em duas metades. A parte superior de Cuzco foi construída por Manco Capac e a parte inferior por Occlo Huaco. Foi construída como o corpo humano, com um lado direito e um lado esquerdo.
O selvagens deixaram de ser selvagens. Começaram a cultivar os campos. As mulheres fiavam e teciam. Manco Capac veio a ser o primeiro Inca, o primeiro rei do povo Inca.
Desde então, os Incas adoraram sempre o Sol. Todos os reis Incas descendem de Manco Capac, logo, descendem do Sol. O Sol dá luz e calor e faz crescer as sementeiras. O Sol enviou o seu próprio filho ao mundo para que as pessoas não se comportassem mais como animais.
E no Inti Raymi - que é o solstício do Verão, o dia em que o Sol atinge o extremo da sua jornada para o sul - havia um festival com música, dança e banquetes. Nesse dia, eram feitos sacríficios. Cortavam a garganta a alguns lamas e, em seguida, eram queimados. O fumo elevava-se no ar, e desta forma, eram oferecidos ao Sol. E, quando havia uma ocasião especial a celebrar, uma grande vitória, por exemplo, não é um animal, mas uma criança que tem de morrer.
- E eu vou ser oferecido ao Sol - murmurou o rapaz.
- É uma honra para ti - disse o sacerdote.
O Sol erguera-se já acima do horizonte. O sacerdote encostou o rapaz à pedra do sacríficio, depois enterrou a faca ritual profundamente no seu coração. Acendeu-se uma fogueira. E, em breve, o fumo subia em espirais, em direcção ao céu resplandecente.
Então, surgiu Inti - o nome que os Incas deram ao Sol, um nome que só um autêntico Inca pode pronunciar -, e a sua luz iluminou o mundo e pôs à vista a miséria da raça humana. E, porque o Sol era bom, teve vergonha por ela.
Resolveu enviar um dos seus filhos à Terra. Tinha como missão ensinar os homens a lavrar a terra, a semear, a criar o gado, a cuidar dos frutos das colheitas. Ensinaria também os homens e as mulheres a adorar o Sol como seu deus, pois, sem luz nem calor, não seriam nunca melhores do que os animais.
O seu nome era Manco Capac e com ele veio Occlo Huaco, a filha da Lua, esposa do Sol.
Os filhos do Sol instalaram-se em duas ilhas do lago Titicaca, que é o lago mais alto do mundo. Ainda hoje são conhecidas as ilhas do Sol e da Lua. Em seguida, atravessaram o lago, com a água rebrilhando como diamantes sob os seus pés, até que chegaram a terra firme e começaram a sua obra.
Antes de terem deixado o Céu, o Sol dera-lhes um bastão de ouro. Tinha a grossura de dois dedos e era um pouco mais pequeno do que o braço de um homem.
- Vão para onde quiserem - dissera-lhes - mas, onde quer que se detenham para dormir ou para comer, tentem enterrar este bastão na terra. Quando chegarem a um lugar onde, com um simples toque, o bastão desapareça completamente, saberão que estão num lugar que me é consagrado. E aí devem ficar. Será o local de uma grande cidade, cheia de palácios e templos. E essa cidade será o centro do meu império, um império como nunca se viu antes no mundo.
Manco Capac e Occlo Huaco deixaram o lago Titicaca e começaram a caminhar em direcção ao norte. Semanas depois chegaram ao vale de Cuzco. Quando experimentaram aí o bastão, ele desapareceu completamente no solo e assim souberam que tinham chegado ao local onde seria fundado o Império Inca.
Cada um seguiu o seu caminho. Falaram com os selvagens. Milhares de homens e mulheres vieram para o vale de Cuzco para os ver e escutar o que eles diziam. E foi assim que Manco Capac começou a construir a cidade que o seu pai ordenara e a ensinar as pessoas a ser civilizadas.
Chamaram-lhe Cuzco. E foi dividida em duas metades. A parte superior de Cuzco foi construída por Manco Capac e a parte inferior por Occlo Huaco. Foi construída como o corpo humano, com um lado direito e um lado esquerdo.
O selvagens deixaram de ser selvagens. Começaram a cultivar os campos. As mulheres fiavam e teciam. Manco Capac veio a ser o primeiro Inca, o primeiro rei do povo Inca.
Desde então, os Incas adoraram sempre o Sol. Todos os reis Incas descendem de Manco Capac, logo, descendem do Sol. O Sol dá luz e calor e faz crescer as sementeiras. O Sol enviou o seu próprio filho ao mundo para que as pessoas não se comportassem mais como animais.
E no Inti Raymi - que é o solstício do Verão, o dia em que o Sol atinge o extremo da sua jornada para o sul - havia um festival com música, dança e banquetes. Nesse dia, eram feitos sacríficios. Cortavam a garganta a alguns lamas e, em seguida, eram queimados. O fumo elevava-se no ar, e desta forma, eram oferecidos ao Sol. E, quando havia uma ocasião especial a celebrar, uma grande vitória, por exemplo, não é um animal, mas uma criança que tem de morrer.
- E eu vou ser oferecido ao Sol - murmurou o rapaz.
- É uma honra para ti - disse o sacerdote.
O Sol erguera-se já acima do horizonte. O sacerdote encostou o rapaz à pedra do sacríficio, depois enterrou a faca ritual profundamente no seu coração. Acendeu-se uma fogueira. E, em breve, o fumo subia em espirais, em direcção ao céu resplandecente.
Lenda Inca
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