sábado, 11 de abril de 2009

A Ratita

Era uam vez um casal já idoso que nunca tinha tido filhos e desejava muito ter um. Um dia encontraram um ratinho e a mulher disse assim:
- Se fosse uma menina, haveríamos de vesti-la como uma princesa e chamar-lhe-íamos Ratita.
E zás! Logo o ratinho se transformou numa linda rapariga, bonita como o Sol. O casal ficou louco de alegria. Um belo dia, o velho, olhando-a admirado, pensou que tinha de lhe encontrar um marido. No entanto, por mais que pensasse e repensasse, não encontrou ninguém que lhe parecesse digno dela: em todos os pretendentes encontrava algum defeito. Até que, depois de muito reflectir, decidiu que o único partido possível era o Sol, que dominava o mundo inteiro, que todos respeitavam e de quem todos gostavam. Assim sendo, disse-lhe então:
- Escuta, Sol, queres casar com a Ratita?
- Sim, gostaria muito!
- Pois podes namorá-la.
E o Sol e a Ratita começaram o namoro, até que ao fim de três dias o Sol não apareceu. No dia seguinte apareceu de novo e disse à Ratita:
- Ontem não vim como de costume, pois a Nuvem maldita tapou-me e não nos pudemos ver.
Quando o velho ouviu isto, disse logo:
- Então uma simples Nuvem é mais poderosa que tu? Pareces-me pouco digno de casar com a minha Ratita. - E o velho foi encontrar-se com a Nuvem e disse-lhe: - Escuta-me Nuvem, não gostarias de casar com a minha Ratita?
- Sim, gostaria muito!
- Pois podes namorá-la.
E a Nuvem apareceu durante três dias para ver Ratita mas no quarto dia não compareceu. No dia seguinte disse então à Ratita:
- Não penses que ontem não vim, como o tenho feito todas as tardes, mas o Vento maldito soprava tanto e com tanta força que não consegui parar e não nos pudemos ver.
Quando o velho ouviu tal coisa, logo disse:
- Então o Vento é mais poderoso que tu? Pareces-e pouco digno de casar com a minha Ratita. - E o velho foi a correr encontrar-se com o Vento. - Escuta, Vento, não gostarias de casar com a minha Ratita?
- Sim, gostaria muito!
- Pois podes namorá-la.
E o Vento apareceu durante três dias para sair com a Ratita, mas ao chegar o quarto dia não se apresentou. No dia seguinte disse então à Ratita:
- Não penses que ontem não quis vir, mas é que a maldita Montanha não me deixou passar.
Ao ouvir isto, logo disse o velho:
- Então a Montanha é mais poderosa que tu? Pareces-me pouco digno de casar com a minha Ratita. - E o velho partiu rapidamente em busca da Montanha, tendo-lhe então dito assim: - Por acaso não gostarias de casar com a minha Ratita?
- Creio que sim, que gostaria!
- Pois podes namorá-la.
E aconteceu que nos primeiros três dias a Ratita e a Montanha se encontravam, mas ao chegar o quarto dia a Montanha estava inquieta e não parava de mexer-se e contorcer-se, não prestando qualquer atenção à rapariga. Foi então que a Ratita lhe perguntou:
- Que se passa? Porque estás tão inquieta?
- É um rato maldito que não pára de me morder e esgaravatar e não me deixa estar sossegada.
Quando o velho acabou de ouvir esta conversa, logo exclamou:
- Um rato? Um rato é mais poderoso que uma Montanha? Para acabar por se casar com um rato não valia a pena ter-se transformado em donzela e deixar de ser uma ratita.
Mal acabou de dizer estas palavras, a Ratita transformou-se num pequeno ratinho. Os bonitos vestidos de princesa ficaram pelo chão, feitos num farrapo, ela meteu-se pelo buraco da parede, de onde tinha saído quando a encontraram, e nunca mais souberam dela.

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