quinta-feira, 9 de abril de 2009

A constelação das Plêiades

Era uma vez um homem que tinha seis filhos aos quais não dera nomes, limitando-se a chamar-lhes, de acordo com a idade, Primeiro, Segundo, Terceiro, Antepenúltimo, Penúltimo e Último.
Quando Primeiro completou dezoito anos e Último doze, o pai mandou todos percorrer mundo, para que aprendessem um ofício. Eles puseram-se a caminho e, durante algum tempo, seguiram juntos, mas ao chegar a uma dupla encruzilhada, da qual partiam seis caminhos diferentes, decidiram separar-se e cada um optar pelo seu próprio percurso. Prometeram encontrar-se naquele local dois anos exactos mais tarde, de onde regressariam à casa paterna.
Dois anos mais tarde encontraram-se de novo aí e regressaram juntos a casa do pai. Primeiro tornara-se mestre de construção naval e era capaz de construir barcos que se deslocavam sozinhos. Segundo embarcara, ascendera a piloto e sabia comandar qualquer tipo de barco. Terceiro aprendera a escutar e conseguia, num reino, ouvir o que se passava noutro. Antepenúltimo tornara-se atirador e cada um dos seus disparos atingia o alvo com precisão. Penúltimo aprendera a trepar, pelo que podia escalar uma parede como se fosse uma mosca. Último anunciou, muito satisfeito, que se convertera em mestre do roubo. O pai ficou tão furioso, que o agarrou pelas orelhas e bradou:
- Que vergonha! Atraíste a vergonha sobre mim e toda a família!
Aconteceu então que um feiticeiro mau roubou ao rei do seu país a jovem filha. O monarca prometeu-a como esposa - além de metade do reino como dote - a quem a descobrisse e arrebatasse ao raptor. Ao tomarem conhecimento, os seis irmãos decidiram tentar a sua sorte. O mestre de construção naval construiu um navio. O piloto pilotou-o por terra e por mar. O de ouvidos apurados escutou em todas as direcções e detectou a princesa no interior de uma montanha de cristal. O trepador trepou a toda a velocidade e uma vez no topo, avistou o feiticeiro, que dormia com a horrível cabeça pousada no regaço da princesa. Desceu e chamou o mestre do roubo, fê-lo subir para as suas costas e conduziu-o ao topo. O ladrão tirou a princesa de baixo da cabeça do feiticeiro sem que este se apercebesse , após o que o trepador transportou os dois até ao navio.
Com todos os irmãos a bordo, zarparam. O irmão de ouvidos apurados prestava atenção aos movimentos do feiticeiro.
- Acaba de acordar... Espreguiça-se... Dá pela ausência da princesa... Começa a dirigir-se para aqui!
O feiticeiro surgiu a sobrevoar o navio. O atirador visou-o com a sua arma, disparou e atingiu-o num sinal preto que este possuía no meio do peito. O feiticeiro explodiu em milhares de pedaços incandescentes, que dispersaram fumegantes, em todas as direcções, razão porque se encontram tão grandes quantidades de pederneira em todas as partes do mundo.
Os seis irmãos conduziram a princesa à corte. Todos se tinham apaixonado por ela e cada um podia afirmar que, sem a sua intervenção, nunca se salvaria. O rei viu-se perante um grande dilema, por não saber a qual entregar a sua filha. E ela achava-se em idênticos apuros, já que não conseguia determinar qual amava mais.
Deus, contudo, não quis que houvesse divergências contundentes entre eles, pelo que fez com que os seis irmãos e a princesa morressem na mesma noite. Depois, distribuiu os sete pelos céus, convertidos em estrelas, que são as que agora conhecemos por Plêiades.
A mais brilhante é a princesa e a menos visível o pequeno ladrão.

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