Desde que há registo que os homens acreditam em Helena.Acreditam nela tanto como personagem histórica real, como na sua qualidade de arquétipo de beleza, de feminilidade, de sexo, de perigo.
Os admiradores de Helena e os seus detractores têm sido muitos e variados. Freiras medievais enfatizaram os seus amores, no Renascimento os "rebeldes" davam às filhas o nome de Helena, apesar de a categorizarem como um nome que traria desgraça. No século XVII, os artistas recebiam encomendas para decorarem edíficios com cenas gigantes sobre o rapto de Helena. No final do século XVIII e início do século XIX o nome Helena foi usado como termo ofensivo, para significar uma coquete, uma prostituta, uma mulher imoral. Hoje é invocada como uma poderosa bruxa de magia branca, outros a aclamam como o primeiro modelo exemplar feminino de que há registo.
Helena encoraja a especulação no seu sentido mais verdadeiro - segurando um espelho, frente ao rosto sempre em mutação, para ver que mundos podem ser vislumbrados no reflexo.
"Não há arte em transformar uma deusa em bruxa, uma virgem em prostituta, mas a operação inversa, dar dignidade àquilo que foi desdenhado, tornar o desprezado desejado, tal exige ou arte ou carácter." (J.W. Goöethe).
A História está ao mesmo tempo perplexa e encantada com Helena; podemos encontrar quase três milénios de atitudes ambíguas para com ela. Helena é díficil de categorizar por boas razões; seguir Helena através dos tempos traz à superfície três formas suas distintas, ainda que interligadas. Quando se fala de Helena, descreve-se uma trindade, princesa, deusa e prostituta.
A Helena mais familiar é a brilhante beldade real das epopeias, a Helena de Homero, a princesa espartana com paternidade divina disputada pelos heróis na Grécia e depois conquistada pela riqueza de Menelau. A teimosa e caprichosa aristocrata que abandonou os gregos, atravessou o Egeu e que depois definhou em Tróia, odiada por todos os que a rodeavam. A figura enigmática que navegou de volta a Esparta, de volta para uma cama que deixara fria. A criatura- maculada e, no entanto, estranhamente dignificada - que demonstrou que a beleza feminina era algo tanto a recear como a desejar.
Foi um ídolo da beleza e da sexualidade femininas tanto adorado como desprezado...
"O meu nome pode estar em muitos sítios: a minha pessoa só pode estar num." (Eurípides, Helena).
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