terça-feira, 15 de julho de 2008

Jasão

Jasão era filho de de Eson, rei de Ialcos, tendo sido criado pelo Centauro Quiron. A lenda conta que Pélias, irmão de Eson, usurpara o trono da Tessália, que competia ao último. Jasão, como filho herdeiro de Eson, viria a ser futuramente um obstáculo à continuação do reinado de Pélias, pelo que resolveu eliminá-lo. Eson, ao aperceber-se do intuito do irmão, cobriu-se de luto, simulou a morte do filho e confiou-o aos cuidados de Quiron. Pélias tranquilizou-se perante o desaparecimento do sobrinho, mas, um oráculo avisou-o de que um homem, com sandálias apenas em um dos pés, poria em risco o seu reinado.
Tempos depois, já Jasão era homem, veio a conhecer Pélias, o qual ignorando tratar-se do seu sobrinho, convidou-o para uma festa. Jasão aceitou o convite, e, tendo perdido, no caminho, uma das sandálias, apresentou-se apenas com um dos pés calçado. Pélias, lembrando-se então do oráculo, perguntou-lhe:
- Que farias, meu amigo, se fosses rei, e um oráculo predissesse que um teu visitante viria a destronar-te?
- Mandá-lo-ia buscar o Velo de Ouro. - Respondeu Jasão.
- Pois bem, és tu, precisamente, o indicado pelo oráculo; vai, portanto, buscar o precioso talismã; se me o apresentares, eu te restituirei o trono. - assim disse Pélias.
Jasão obedeceu e auxiliado por Minerva, construiu a nau Argos, cujo significado é A Veloz, e nela embarcou com mais 52 tripulantes rumando à Cólchida, região da Ásia banhada pelo Fonde. Na presença do rei Eétes, intimou-o a entregar o Velo que se encontrava em seu poder.
O rei, certo de mandá-lo à morte, impôs-lhes 4 condições:
- Pôr a canga em dois touros de pés e cornos de bronze, que deitavam fogo pelas narinas, e atrelá-los a uma charrua de diamante;
- Lavrar, com eles, uma vasta área, e nela semear os dentes do dragão Cadmo;
- Vencer os gigantes armados que viessem a nascer dessas sementes;
- Enfrentar e matar o dragão que guardava o Velo.
Jasão, tendo conquistado o amor de Medéa, filha do rei e hábil feiticeira, dela obteve, sob promessa de casamento, todos os elementos necessários à completa vitória. Recebeu um bálsamo maravilhoso para ser untado no seu corpo e nas suas armas, tornando-os invulneráveis ao fogo, e foi-lhe recomendado que, quando nascessem os gigantes, atirasse uma pedra no meio deles, o que os faria lutar uns contra os outros, até se exterminarem.
Essas recomendações, seguidas a risco, deram o resultado desejado. Restava apenas vencer o dragão. Para isso, Medéa, com uma bebida mágica, fê-lo adormecer, e Jasão, encontrando-o inerte, em profundo sono, atravessou-o com sua afiada lança, tombando-o por terra. Em seguida, apossou-se do Velo de Ouro e fugiu com Medéa.
Chegando a Tessália, entregou-o a Pélias e reclamou o prometido. O soberano recusou-se. Medéa arquitectou uma terrível vingança. Falou com as filhas do usurpador e devido à adiantada idade do pai, disse-lhes que elas poderiam facilmente rejuvenescê-lo: deviam fazê-lo em pedaços, e deitá-lo a ferver num caldeirão, com determinadas ervas. As filhas de Pélias não vacilaram em matar o velho pai, reduzi-lo a pedaços, esperando em vão, vê-lo ressurgir jovem e formoso. Eliminado, assim, Pélias, Jasão reinvindicou o trono.
Apesar dos inolvidáveis serviços que Medéa lhe prestou, Jasão, ingratamente, abandonou-a para se ligar a Creusa, filha de Príamo e de Hécuba, e primeira esposa de Enéas.
Medéa vingou-se de forma terrível. Matou o filho do casal e enviou a Creusa, como presente de núpcias, uma túnica envenenada que a devorou em chamas, fugindo, em seguida, para Atenas. Desesperado por tão grande infortúnio, Jasão suicidou-se.

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