sábado, 21 de junho de 2008

Ísis e Osíris


O quarto grande faraó do Egipto chamva-se Osíris. Era um deus, bisneto de Rá, que, segundo os egípcios, criou o mundo. Alto, de pele morena e extremamente belo, era um dos melhores entre os deuses.
Osíris tomou como esposa a deusa Ísis, que, por acaso, também era sua irmã. Ísis era uma deusa muito bela, de braços finos, corpo flexível e elegante e uns maravilhosos olhos verdes. Durante muitos anos Ísis e Osíris reinaram sobre o Egipto, fazendo o bem aonde quer que fossem. Osíris ensinou os homens a cultivar a terra, a fazer o pão e o vinho. Construíu os primeiros templos e modelou as primeiras estátuas. Acabou com o canibalismo. Ísis ensinou a mulheres do Egipto a moer o trigo e a tecer e instruiu os homens na arte da medicina. Deu a Osíris um filho, Horo, que tinha cabeça de falcão e que foi, mais tarde, adorado como deus do sol.
Mas Osíris não estava satisfeito e decidiu partir para a Ásia para ensinar os homens os bons costumes que tinha implementado no Egipto. Entretanto, Ísis governava o Egipto, mantendo tudo em perfeita ordem.
Osíris tinha um irmão mais novo chamado Set, que era em tudo o seu oposto. Repulsivamente feio, a pele branca como a cal, o cabelo vermelho berrante e o nariz arrebitado. Set tinha ciúmes do seu irmão mais velho. Odiava Osíris e queria ser ele o rei do Egipto. Reuniu 72 cúmplices e tramou um plano horrível. Fingia admirar Osíris. Quando este regressou da Ásia ele convidou-o para um banquete comemorativo.
Devido à representação de Set, Osíris não suspeitou de nada e juntou-se de bom grado aos outros 72 convidados, no palácio do irmão. No fim da refeição, Set bateu as palmas e entraram 4 criados, transportando uma arca ornamentada, forrada de ouro e prata e craveja de jóias. Pedindo silêncio, Set pôs-se em pé:
- Pensei em terminar esta festa - disse - com uma pequena competição. Estou certo que o meu querido irmão se juntará a nós. A arca, é ao mesmo tempo, um desafio e um prémio. Dá-la-ei a quem conseguir meter-se dentro dela. Se alguém o lograr, será sua.
Osíris sorriu ao ouvir isto. Reparara desde o início que todos os amigos de Set eram bastante avantajados, embora fosse demasiado educado para o dizer. O que ele não sabia era que Set os tinha escolhido precisamente por essa razão. Observou-os então, um após outro, a tentarem espremer-se para dentro da caixa e juntou-se ás gargalhadas, visto que tal se demonstrou impossível. Então chegou a vez de Osíris, o qual entrou sem dificuldade e deitou-se de costas. E, nesse momento, todos os 72 convidados saltaram para cima da arca, fecharam a tampa, envolveram-na com cordas e correntes e pregaram-na. A seguir, carregaram-na para fora do palácio e, ignorando os gritos de protesto abafados que vinham de dentro dela, lançaram-na ao Nilo.
O caixão - pois era nisso que a arca agora se transformara - foi levado pelo Nilo até ao mar. Por fim, foi dar à costa da Fenícia e pousou sob uma tamargueira. A árvore inclinou os ramos e envolveu a arca, puxando-o para dentro do seu tronco e aí permaneceu por muitos anos. Um dia, a tamargueira foi cortada por um rei local que precisava de um pilar para segurar o telhado do seu palácio. Mas quando o tronco foi colocado, descobriu-se que ele soltava um perfume maravilhoso que se sentia a muiltas milhas em redor, um cheiro a Verão, a mel e a flores. O fenómeno era tão extraordinário que a notícia se espalhou até chegar a Ísis. Devido aos seus conhecimentos de magia, concluiu que a árvore devia conter o corpo do marido e decidou recuperá-lo.
Entretanto Set, apoderara-se do trono do Egipto, reinando com crueldade onde Osíris apenas mostrara bondade, escravizando o povo e encorajando festas canibais.
Ísis não demorou a abrir o pilar e a remover a arca levando-a de volta para o Egipto e escondendo-a na ilha flutuante de Chemnis, no meio do Nilo. Aí permaneceu, banhando a arca com lágrimas, enquanto preparava os rituais fúnebres necessários. Mas Set encontrou a arca. Abrindo-a, sacou da espada e cortou o corpo de Osíris em 14 pedaços, espalhando-os pelo Egipto.
Ísis passou os dois anos seguintes à procura dos pedaços de Osíris, apenas conseguiu recuperar 13, o décimo quarto tinha sido comido por um caranguejo.
Usando todos os seus poderes mágicos, Ísis juntou os treze pedaços até que o corpo ficou completo. O processo foi denominado embalsamento e, daí em diante, todos os grandes faraós e os nobres mais ricos foram embalsamados.
Quando Ísis terminou o seu trabalho, Osíris despertou como que de um sono profundo e abraçou-a. Demasiado cansado, decidiu descer ao Mundo Inferior egípcio. E foi assim que coube a Horo, o seu filho, vingar a morte do pai, enterrando um arpão afiado no cérebro de Set.
Horo tornou-se faraó do Egipto, o último deus a reinar em forma humana. Osíris ficou com Ísis no Mundo Inferior, onde reinou sobre os mortos tão bondosa e sabiamente como outrora reinara sobre os vivos.

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