sexta-feira, 20 de junho de 2008

Fénix

Nascido aquando da criação e adorado em Heliópolis, no antigo Egipto, o Benu (hieróglifo egípcio, “brilhar”, “elevar-se”) é um pássaro de longas pernas semelhante a uma garça com uma crista de duas longas penas que saem da parte posterior da cabeça. É um pássaro eterno que, tal como o sol, renasce todas as manhãs após a sua viagem através da noite. Associado aos deuses do sol, acompanhava as almas dos mortos no barco de Rá na sua viagem através do Mundo dos Mortos.
No princípio do mundo, o Benu ergueu-se do mar primordial. O pássaro estava sobre um montículo, a primeira terra a aparecer das águas escuras. A primeira luz do sol brilhou sobre o pássaro e sobre o montículo e quando a criatura soltou um grito – o sopro da vida – o tempo começou. Os sacerdotes da nova raça humana construíram um templo no montículo de terra que emergiu do abismo. Neste Templo do Sol, na cidade chamada Heliópolis, colocaram uma pedra – benben – representando o lugar em que o deus-sol Áton surgiu sob a forma do pássaro Benu. O Benu guiava as almas na sua perigosa viagem em direcção a Oeste através do escuro Mundo dos Mortos para serem julgadas pelo deus Osíris. Aquelas que eram consideradas merecedoras embarcavam com o pássaro no barco do deus-sol até emergirem no leste, tal como o sol, na luz da vida eterna.
Heródoto chamou a este pássaro “Fénix”, e muitos dizem que a Fénix é uma nova forma do grande Benu de Heliópolis.
A Fénix eterna é espectáculo de cor. Em volta do pescoço tem um tufo de penas douradas, brilhantes como o sol, e as suas asas e as longas penas esvoaçantes da cauda têm todas as cores do arco-íris. O bico parece de vidro, os olhos assemelham-se a pedras preciosas e no alto da cabeça tem uma crista cintilante. Apenas uma Fénix vive no mundo de cada vez. O seu nome grego significa “carmesim”, “tamareira” e “fenícia”. A tamareira renova-se a si própria e a Fenícia é uma terra vermelha. A Fénix vive num paraíso terrestre no longínquo leste, na terra da Aurora. No seu alto ninho na mais alta das árvores, a Fénix ergue-se todas as manhãs, saudando o sol com as asas abertas e um canto suave. Dia após dia, banha-se nas nascentes, bebe o orvalho e vive no ar. Com o passar dos anos, a plumagem brilhante empalidece e, quando o pássaro sente que a morte se aproxima, colhe especiarias de cheiro doce e transporta-se para um lugar no deserto selvagem, onde constrói a sua pira numa única árvore tamareira. Na manhã seguinte, quando a luz do sol atinge a árvore, as especiarias libertam os seus óleos e a pira incendeia-se. O pássaro ergue-se no meio do fogo, atiçando as chamas com as asas, até, também ele, começar a arder e ser reduzido a cinzas. Então, ao anoitecer do terceiro dia, as cinzas atiçam-se e delas emerge um verme. Durante a noite, o verme toma de um pássaro. Crescem-lhe as penas e, na manhã seguinte, uma nova Fénix resplandecente ergue-se com o sol. O jovem pássaro junta as cinzas num ovo, transporta-o para Heliópolis e coloca o ovo-das-cinzas sobre o altar do Templo do Sol e parte para a sua morada no leste, aí continuando o seu ciclo de vida, morte e renascimento.

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