Nascido aquando da criação e adorado em Heliópolis, no antigo Egipto, o Benu (hieróglifo egípcio, “brilhar”, “elevar-se”) é um pássaro de longas pernas semelhante a uma garça com uma crista de duas longas penas que saem da parte posterior da cabeça. É um pássaro eterno que, tal como o sol, renasce todas as manhãs após a sua viagem através da noite. Associado aos deuses do sol, acompanhava as almas dos mortos no barco de Rá na sua viagem através do Mundo dos Mortos.No princípio do mundo, o Benu ergueu-se do mar primordial. O pássaro estava sobre um montículo, a primeira terra a aparecer das águas escuras. A primeira luz do sol brilhou sobre o pássaro e sobre o montículo e quando a criatura soltou um grito – o sopro da vida – o tempo começou. Os sacerdotes da nova raça humana construíram um templo no montículo de terra que emergiu do abismo. Neste Templo do Sol, na cidade chamada Heliópolis, colocaram uma pedra – benben – representando o lugar em que o deus-sol Áton surgiu sob a forma do pássaro Benu. O Benu guiava as almas na sua perigosa viagem em direcção a Oeste através do escuro Mundo dos Mortos para serem julgadas pelo deus Osíris. Aquelas que eram consideradas merecedoras embarcavam com o pássaro no barco do deus-sol até emergirem no leste, tal como o sol, na luz da vida eterna.
Heródoto chamou a este pássaro “Fénix”, e muitos dizem que a Fénix é uma nova forma do grande Benu de Heliópolis.
A Fénix eterna é espectáculo de cor. Em volta do pescoço tem um tufo de penas douradas, brilhantes como o sol, e as suas asas e as longas penas esvoaçantes da cauda têm todas as cores do arco-íris. O bico parece de vidro, os olhos assemelham-se a pedras preciosas e no alto da cabeça tem uma crista cintilante. Apenas uma Fénix vive no mundo de cada vez. O seu nome grego significa “carmesim”, “tamareira” e “fenícia”. A tamareira renova-se a si própria e a Fenícia é uma terra vermelha. A Fénix vive num paraíso terrestre no longínquo leste, na terra da Aurora. No seu alto ninho na mais alta das árvores, a Fénix ergue-se todas as manhãs, saudando o sol com as asas abertas e um canto suave. Dia após dia, banha-se nas nascentes, bebe o orvalho e vive no ar. Com o passar dos anos, a plumagem brilhante empalidece e, quando o pássaro sente que a morte se aproxima, colhe especiarias de cheiro doce e transporta-se para um lugar no deserto selvagem, onde constrói a sua pira numa única árvore tamareira. Na manhã seguinte, quando a luz do sol atinge a árvore, as especiarias libertam os seus óleos e a pira incendeia-se. O pássaro ergue-se no meio do fogo, atiçando as chamas com as asas, até, também ele, começar a arder e ser reduzido a cinzas. Então, ao anoitecer do terceiro dia, as cinzas atiçam-se e delas emerge um verme. Durante a noite, o verme toma de um pássaro. Crescem-lhe as penas e, na manhã seguinte, uma nova Fénix resplandecente ergue-se com o sol. O jovem pássaro junta as cinzas num ovo, transporta-o para Heliópolis e coloca o ovo-das-cinzas sobre o altar do Templo do Sol e parte para a sua morada no leste, aí continuando o seu ciclo de vida, morte e renascimento.
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